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todo o sentido do mundo

NATHANIEL MAYER – WHY DON`T YOU GIVE IT TO ME (2006)
Nathaniel Mayer sofreu tudo o que você já sofreu um dia. E tudo o que sofrerá até o último suspiro. E também algumas coisas que você não sofreu, nem sofrerá, mas que, garanto, certamente já passaram pelo velho homem.
Em 63 Mayer emplacou um hit, “Village of Love”.
E foi só. Porque então veio limbo.
Mayer lançou alguns discos, calibrou sua receita secreta de soul incendiário, mas a coisa simplesmente não decolou. Pelo menos não pra fora das fronteiras da cidade.
Em 96, os Detroit Cobras regravaram “Village of Love”. Isso deve ter animado Mayer, e ali por 2000 ele voltou a tocar em clubes e festivais e a estraçalhar cinturas.
Daí para que Mayer se tornasse objeto de culto entre a cena de rock revivalista foi um pulo.
Em 2006, Dan Auerbach, dos Black Keys, resolveu montar uma banda para acompanhar Nathaniel, e chamou Mathew Smith, do Outrageous Cherry, Troy Gregory, dos Dirtbombs, e Dave Settler, dos Sights.
Fermentados pela voz de quem já viu demais do velho soulman, os grooves explosivos de Auerbach foram guardados numa caixinha, um disco chamado “Why don`t you give it to me”.
Blues-soul-funk-punk-psicodélico musculoso. Coeso. Na mosca.
Como se décadas de rock se comprimissem em nove músicas, em muitas camadas, e as coisas começassem a fazer todo o sentido do mundo.
Como se Nathaniel Mayer explicasse tudo.
o barulho e o caminho

THE BLACK ANGELS – PASSOVER (2006)
Não sei se você já ouviu Warlocks. Eram uns malucos que pegavam aquela premissa de psicodelia “wall of sound”, Spacemen 3 e tal, mas filtravam tudo por levas de garageira. Como se a camada de ruídos viajandões estivesse comprimida entre uma de aspereza e outra de urgência, extra-soturna.
De todo modo, tem um lance que sempre me deixou com o pé atrás nos Warlocks. Essa tentativa de fazer a ponte entre a psicodelia/garageira dos 60 e a psicodelia/barulheira dos 90, apesar de rendondinha, ficava um pouco no meio do caminho. Pelo menos pra mim. Sabe quando um som acaba meio esgarçado em meio a muitas influências? Pois é.
E então apareceram os Black Angels.
Os caras são novos, apadrinhados pelos Black Keys. Formaram a banda em 2004. Mas o som é de uma concisão de tirar o chapéu. Tá todo mundo lá nas referências: Velvet Underground, Jason Pierce, um tanto de Dylan, um pouco de Jesus & Mary Chain. E um punhado de Warlocks. Tem mais coisa também, é só procurar.
Levadas hipnóticas, ruído, barulhinhos viajantes. E punch. Você escuta e sabe para onde os caras estão te levando. Pode até não gostar do destino. Mas uma coisa eu garanto: você não vai correr o risco de parar no meio do caminho pra ter que checar o mapa.