
THE MESS HALL – DEVILS ELBOW (2007)
É mais ou menos como acontece com os cangurus, ou ornitorrincos. Talvez seja o isolamento, talvez o estranhamento de anglo-saxões perdidos entre asiáticos. Quando o assunto é rock, a Austrália é esquisita.
Sabe o que rola nas cidade interioranas, aquela coisa meio perdida no tempo, de juventude forjada a Deep Purple, Stones e Beatles? Então, é mais ou menos isso, só que com um país inteiro.
No caso da Cangurulândia, alimentada a pub rock, AC/DC, Cold Chisel e Rose Tattoo, é compreensível que coisas soem filtradas no puro creme do hard rock. Há quem considere meio truque. Mas eu boto fé que os caras realmente curtam. Olha só o Mess Hall.
São dois integrantes, Jed Kurzel e Cec Condon, guitarra e bateria. Influenciados por blues cru, discos da Fat Possum e tal. Como rola com os White Stripes, ou com os Black Keys.
A diferença é que por mais que ali no fundo você encontre uma estruturazinha de blues, o som dos Mess Hall traz, entranhado, os códigos do hard rock. Porque é assim que é com um tanto das bandas australianas, o povo costuma soar desse jeito mesmo.
Mas, bom, essa é só uma enrolação pro que é realmente importante: “Devils Elbow”, o segundo disco do Mess Hall, é muito, muito, muito bom.
Gravado na total pindaíba e lançado pela independente Ivy League, o album traz dez músicas. É o suficiente. Dá pra dizer que não tem uma canção ruim. E olha que os caras até batem pézinho, de leve, na piscina da new rave, em Pulse.
“Devils Elbow” traz, basicamente, um menu de hard-blues-rock-sacolejante-e-galopante. Parece simples, mas, na boa, pensando aqui acho que o Mess Hall chegou aonde os Black Keys tentam ir depois de “Rubber Factory“. E olha que isso é algo difícil de dizer, porque curto Black Keys pra cacete.
O mais impressionante é que esse é apenas o segundo álbum-de-verdade dos caras. E que, em relação às gravações anteriores (pela ordem, a demo “The Mess Hall”, o EP “Feeling Sideways” e o disco “Notes from a Ceiling”), o salto é grandão. Experimentam dando poucos passos, mas acertam todos.
Com “Devils Elbow”, o Mess Hall galga, para o pessoal do grouchomarxista, o admirável panteão de Maior Banda Desconhecida do Mundo. E isso, acho, já é bastante jóia.
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