temei os anjos vingadores

Depois dos 30 finalmente li um livro do Sherlock Holmes ali, de acordo.

E, cara, os mórmons ninjas psicopatas do tio Conan Doyle em A study in scarlet são deveras mais bacanas que os bundões Opus Dei do Código da Vinci.

Leiam os clássicos, crianças.

fazendo o simples

E vamos precisar que o texto migre pro digital, e que as árvores não sejam tantas assim, e que os álbuns com letras e desenhos sejam feitos em bom papel, e apreciados, e experimentados com dois sentidos ou mais.

Aí os quadrinhos serão entendidos arte de facto. E as letras e as cores e seus balões terão, em cada gibi, o valor que sempre soubemos ter.

Assim disse tio Stan Lee.

reinventando a banana

“Aos não apresentados ao Record Club, trata-se de um encontro informal entre varios músicos para gravar um álbum por semana. Um disco é escolhido para ser reinterpretado e usado como plataforma. Nada é ensaiado nem arranjado previamente. E uma faixa é publicada online a cada semana” A explicação é do Beck, pro disco desta semana. Mas a usarei pro álbum da semana passada.

O lance é que Beck regravou, nos termos explicados aí em cima, o disco da banana.

Bom, eu sei, e acho que você também, que o The Velvet Underground and Nico é um disco deveras esquisito. Bem por conta disso, nem era o caso de se esperar na regravação algo pra bater palminha junto – logo no começo, já dá pra sacar que não rola.

Na verdade, o disco é quase um estudo sobre o original. Não à toa, de vez em quando dá aquela impressão de que algo foi um pouco pensado demais. O lado bom é que, quando é pensado, é BEM pensado.

O esqueleto conceitual é examinado e chacoalhado. Minimalismo, experimentação, a engenharia de produção tratada quase como um suporte, é tudo tocado, trabalhado, executado em novas chaves.

Lógico, o princípio do projeto acaba trespassando a coisa toda com uma espécie de urgência, quase resvalando a chinelagem. A diferença é que, no caso da regravação, a urgência é urgência mesmo: os caras gravam tudo num dia. Diferente da urgência do Velvet, que, ensaiada e pensada e feita e de novo, retocava cada aspereza para que parecesse suja do jeito certo.

Enfim, esquisto, bacana, vale. Até pelo projeto, que é bem classe — agora, o disco da vez é o Songs of Leonard Cohen.

Mas eu já falei demais. Vai lá e tira a tua prova.

CLASSE

Porque zumbi é que nem requeijão – fica bom com tudo.

toc toc

Há um tempão ganhei a sorte grande numa venda de garagem.

O dono dos móveis tava animadão, no pique de dar uma poltrona velha e uns cacarecos pro pessoal de nossa república.

O prêmio era uma fita cheia de clipes esquisitos. Na versão do dono da parada, “bandas que tinham tentado a sorte no Big Day Out, e se dado mal”.

Uma poltrona vazia e a noção de umas bandas boas. Sim senhores.

A poltrona explodiu, e os arames abriram um talho em minha perna.

O som encontrou seu caminho. E, bom, acho que anda por lá até hoje.

E juro que este clipe tava na roda. Verdade mesmo.

agora vai

Cara, preciso voltar a escrever.

Sim senhores. Sim senhoras.

qual é a música, camaradas?

Vitória do socialismo real.

Da BBC:

China proíbe cantores de dublar em shows e programas de TV

O governo da China proibiu o uso de dublagem em apresentações públicas de cantores.

A técnica é muito utilizada no país e consiste em tocar uma música pré-gravada durante uma apresentação, enquanto artistas e músicos fingem que estão tocando os instrumentos e cantando. A diretriz do Partido Comunista foi emitida em meados de novembro, mas agora, com a chegada das celebrações de fim de ano, as autoridades reforçaram a proibição, em particular na indústria do entretenimento.

(…)

De acordo com o site de notícias sobre a China www.china.org.cn, autoridades da Administração Estatal de Rádio, Filme e Televisão (SARFT, na sigla em inglês) reforçaram que os artistas que se apresentam nos shows de fim de ano precisam ser “cantores de verdade” e que as letras das músicas têm que ter um conteúdo “saudável”.

“Primeiramente, tenha o ‘cantar-de-verdade’ como sua prática padrão e escolha apenas os artistas que podem realmente cantar. Ponha, firmemente, um ponto final à dublagem”, afirmou o oficial da SARFT Zhao Huayong num comunicado publicado no site do departamento.

Segundo o governo, “usar canções e músicas pré-gravadas para substituir o canto ao vivo” é “enganar a audiência” e quem for pego dublando será “punido”.

Sete notas, maestro

senso de noção

Roberto Justus lançou seu primeiro CD. Músicas românticas.

Sai pela Sony BMG.

Aí as majors vão mal das pernas e a culpa é do povo que baixa música na internet.

macanudo!

Liniers é foda.

os maiores do mundo

THE MESS HALL – DEVILS ELBOW (2007)

É mais ou menos como acontece com os cangurus, ou ornitorrincos. Talvez seja o isolamento, talvez o estranhamento de anglo-saxões perdidos entre asiáticos. Quando o assunto é rock, a Austrália é esquisita.

Sabe o que rola nas cidade interioranas, aquela coisa meio perdida no tempo, de juventude forjada a Deep Purple, Stones e Beatles? Então, é mais ou menos isso, só que com um país inteiro.

No caso da Cangurulândia, alimentada a pub rock, AC/DC, Cold Chisel e Rose Tattoo, é compreensível que coisas soem filtradas no puro creme do hard rock. Há quem considere meio truque. Mas eu boto fé que os caras realmente curtam. Olha só o Mess Hall.

São dois integrantes, Jed Kurzel e Cec Condon, guitarra e bateria. Influenciados por blues cru, discos da Fat Possum e tal. Como rola com os White Stripes, ou com os Black Keys.

A diferença é que por mais que ali no fundo você encontre uma estruturazinha de blues, o som dos Mess Hall traz, entranhado, os códigos do hard rock. Porque é assim que é com um tanto das bandas australianas, o povo costuma soar desse jeito mesmo.

Mas, bom, essa é só uma enrolação pro que é realmente importante: “Devils Elbow”, o segundo disco do Mess Hall, é muito, muito, muito bom.

Gravado na total pindaíba e lançado pela independente Ivy League, o album traz dez músicas. É o suficiente. Dá pra dizer que não tem uma canção ruim. E olha que os caras até batem pézinho, de leve, na piscina da new rave, em Pulse.

“Devils Elbow” traz, basicamente, um menu de hard-blues-rock-sacolejante-e-galopante. Parece simples, mas, na boa, pensando aqui acho que o Mess Hall chegou aonde os Black Keys tentam ir depois de “Rubber Factory“. E olha que isso é algo difícil de dizer, porque curto Black Keys pra cacete.

O mais impressionante é que esse é apenas o segundo álbum-de-verdade dos caras. E que, em relação às gravações anteriores (pela ordem, a demo “The Mess Hall”, o EP “Feeling Sideways” e o disco “Notes from a Ceiling”), o salto é grandão. Experimentam dando poucos passos, mas acertam todos.

Com “Devils Elbow”, o Mess Hall galga, para o pessoal do grouchomarxista, o admirável panteão de Maior Banda Desconhecida do Mundo. E isso, acho, já é bastante jóia.

Mais, aqui.