el estupendo grouchomarxista

viejos chistes y actualidades selectas

indelicado

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É complicado quando a gente tá no meio da mudança. Carregar as estantes da história pra fora dos quartos, guardar a grande aventura humana dentro de caixas de papelão e marcar seu conteúdo com caneta piloto e despachar tudo pra ser organizado em outro lugar.

Porque o mundo hoje é um grande caminhão da Granero tentando encontrar o endereço de entrega pras coisas na caçamba. E a gente ainda nem sabe como vai ficar a disposição de tudo isso na sala da nova casa.

A internet bagunçou todas as marcações no guia de ruas do motorista do caminhão. As vias tiveram suas mãos trocadas, os estacionamentos mudaram de endereço, a velocidade de tráfego e os locais para estacionar ainda não estão muito certos.

A circulação acelerada de bens da cultura e as negociações emergentes em torno de coisas como direito autoral, autoria e uso tiraram das gavetas textos, imagens e sons, transformando-os em novas obras, espaços e práticas. As coisas ficaram um pouco mais confusas.

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Há mais ou menos uma semana o noticiário de internet se debruça sobre o fenômeno Gina Indelicada. A página é tipo um Respostas Cretinas Para Perguntas Imbecis estrelado por uma caixa de palito de dentes e conseguiu, em pouco tempo, chamar a atenção de 1,5 milhões de assinantes.

O problema é o modo como a coisa é construída. As respostas sagazes descontraídas dadas pela Gina do Facebook são, pelo que vi, cópias de coisas publicadas por vários usuários do twitter. Os autores das frases de twitter usadas à revelia acusam Gina Indelicada de plágio. Os defensores da página relativizam o uso do material autoral de outros e falam que é a natureza da internet, zeitgeist e tal.

E aí a gente chega num ponto meio complicado.

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O complicado de quando se vive numa terra de ninguém é que é uma terra de ninguém. E a internet é caos e fúria e videos de gatinhos, mas mesmo no meio de toda a bagunça existiu, sempre, uma certa ordem.

Desde os pioneiros da programação moderna que começaram nos anos 80 a usar massivamente a comunicação online em rede, antes da internet ser do jeito que é hoje, existe esse debate sobre autoria. E a coisa na época foi resolvida sem muitos dramas – eu uso o seu código no meu software, você usa o meu, mas a gente avisa quem é o autor do código usado.

Porque executar o código não te torna dono dele. E porque ser reconhecido como autor do código executável é essencial à economia da rede.

E textos e piadas publicados na internet são códigos executáveis. São sequências de letras e números que são processados no cérebro das pessoas pra fazer funcionar o riso ou a reflexão ou a indignação. E tudo bem se for reproduzido ou incorporado por outras pessoas, mas é da ética da web que se aponte o autor. Pelo simples fato do autor ter em sua obra o único cartão de visitas possível na internet.

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Quando se publica algo num perfil de internet, qualquer um, há um acordo sobre entender o perfil como autor do publicado. Porque é lógico, e não faz sentido que a cada manifestação em redes sociais as pessoas tenham que assinar pra garantir que o publicado foi dito por elas mesmas.

Há a ética do remix, que reconhece desde o começo sua obra como recorte de muitas autorias numa manifestação coletiva. Há o copyleft, que solta ideias no mundo e não liga muito sobre como essas ideias vão ser usadas, contanto que partilhem do mesmo princípio (buscando a livre circulação e o uso não comercial). Há o Creative Commons, que traz um menu de possibilidades pro uso de sua obra, do mais revolucionário ao mais conservador. Há a livre circulação de obras — e o Paulo Coelho defende que os PDF de seus textos circulem porque ele, Paulo Coelho, quer que as pessoas conheçam seus livros. E há o plágio. O plágio se apropria da obra dos outros e deixa o público entender que a obra foi criada pelo plagiador e acabou.

E o plágio é desonesto. E pode até ser lisongeiro pro plagiado. Mas é bem indelicado.

Written by Tiago Soares

agosto 31, 2012 at 3:25 am

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24 horas

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é como se minha responsabilidade profissional corresse uma maratona senhoras e senhores.

e ela está cambaleando e se arrastando rumo à linha de chegada com muito esforço e força de viver e a plateia vibra que espetáculo bonito.

“é uma inspiração para a família”, dizem; os jovens falam “vc é um modelo é um exemplo na vida”.

aí minha responsabilidade profissional fala “ora o que é isso apenas fazendo meu trabalho”.

Written by Tiago Soares

setembro 3, 2011 at 9:22 pm

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macroeconomia

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Written by Tiago Soares

julho 30, 2011 at 2:42 pm

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michael myers chorou

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Zombie Zombie é um duo francês que faz música eletrônica inspirada em filmes de terror e explotaition oitentista.

Alan Howarth é compositor, parceiro musical de John Carpenter em clássicos tipo “Fuga de Nova Iorque”, “Christine” e “Os aventureiros do bairro proibido”.

Um dia eles se reuniram pra tocar o tema de Halloween. É o video que tá aí em cima.

Written by Tiago Soares

julho 18, 2011 at 1:49 pm

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o processo é lento

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Written by Tiago Soares

julho 13, 2011 at 4:28 pm

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notas sobre sacco

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Era fim de 2003, começo de 2004 quando descobri Joe Sacco. Na época, eu trabalhava pro Fórum Social Mundial, traduzia e processava análises políticas e informes levantados por entidades civis e grupos ativistas do mundo todo.

Foi ali que conheci uma história das coisas que nunca arranhava a superfície dos jornais. Entendi os caminhos que transformam um fato em uma ou outra notícia. Li pensadores que me mostravam uma perspectiva completamente nova do mundo, assentada em registros empoeirados, trancados dentro das gavetas.

Joe Sacco fazia tudo isso em quadrinhos. E quando conheci o trabalho dele fiquei absolutamente transtornado, foi um daqueles momentos de iluminação com luz de vitral e coral de anjos. Porque quadrinhos são, sei lá, a única paixão que me acompanha pela vida toda além do Palmeiras.

Dia desses, rolou numa livraria aqui perto de casa uma palestra dele. Então fui lá, anotei alguns trechos interessantes, e resolvi dividir com todo mundo.

Joe Sacco
(foto picareta de celular)

Sobre quadrinhos, narrativa e jornalismo

“Um dos motivos pelos quais HQs são um grande meio para a narrativa jornalística está na possibilidade de elaborar detalhes gráficos que realcem aspectos do que é contado. No texto escrito, essa ênfase nos detalhes visuais é mais complicada.

“HQs permitem transições temporais fluidas – numa mesma narrativa, sem rupturas, uma história pode ir ao passado e voltar ao presente sem dificuldades. É um recurso bastante interessante para a compreensão de contextos históricos.

“O fato de desenhar ajuda bastante quando estou fazendo alguma reportagem num país de língua estrangeira. Quando fiz Notas sobre Gaza, levei na bagagem o Palestina. E mostrava o livro antes de entrevistar as pessoas, assim elas podiam entender o que eu estava fazendo lá. Se fosse um livro textual em uma língua que o entrevistado não dominasse, isso não funcionaria.

“Há um cartunista, Nagi al-Ali, que é considerado um ícone da resistência pelo povo da Palestina. Ele foi morto num atentado em Londres, nos anos 80 (n. ed.: Nagi al-Ali foi assassinado num atentado a tiros, em Londres, em 1987), e seus desenhos são até hoje estampados nas paredes das cidades, ele é muito querido. Quando mostrava meus quadrinhos para as pessoas, existia uma espécie de remissão, relacionavam meu trabalho com as coisas que ele fazia. Isso ajudava a quebrar o gelo.

“Meu traço ganhou contornos mais realistas pela necessidade, o trabalho jornalístico acabou pedindo que fosse assim. Na verdade, gosto mais de desenhar com o traço solto, de forma mais cartunesca.”

Sobre autores e sua formação política

“Christopher Hitchens, Edward Said e Noam Chomsky foram autores essenciais à minha formação política. Me deram uma nova perspectiva sobre o Oriente Médio, com eles conheci um panorama completamente diferente do construído pela mídia dos EUA.”

Sobre Palestina

“O trabalho feito em Palestina seria, hoje, bem mais complicado. Atualmente há espiões israelenses que se passam por jornalistas, o que gera um clima de desconfiança. A situação é bem mais violenta.

Palestina foi feito com um orçamento bastante curto. Comia em bancas de falafel e dormia em hostels – que não são exatamente o melhor ambiente para trabalhar em suas notas depois de um dia cheio de entrevistas. Basicamente, voltei pra casa quando o dinheiro acabou.”

Sobre o processo criativo

“Meu processo criativo não segue uma rotina rígida – às vezes passo mais tempo trabalhando no roteiro, às vezes o desenho acaba demorando mais. De todo modo, durante a produção de um livro faço uma média de nove a dez páginas por mês.

“Tiro muitas fotos – até porque desenhar cada localidade demoraria tempo demais. E sou rígido no que diz respeito a, toda noite, manter um diário sobre tudo que passei ao longo do dia, existem detalhes que, sem isso, poderiam ser perdidos. Tento, também, durante as entrevistas fazer “perguntas visuais”, questões que ofereçam, por parte do entrevistado, estímulos gráficos que possam ser aproveitados na construção das HQs.”

Sobre pagar as contas

“Meus livros foram quase todos bancados do próprio bolso. Apenas no mais recente, Notas sobre Gaza, consegui um contrato editorial. E mesmo assim o dinheiro durou apenas dois anos, bem menos tempo do que o necessário para um trabalho como esse.

“Vivo de palestras, histórias encomendadas (fiz algumas para o The Guardian que renderam um bom dinheiro) e, mais recentemente — agora que meus livros estão vendendo bem — de royalties.”

Sobre objetividade jornalística

“Me incluo nas narrativas para que o leitor tenha claro que aquilo é apenas o meu ponto de vista, faço parte da história. Quero que lembrem que há alguma subjetividade ali.”

Sobre as coisas por vir

“Meu próximo projeto é sobre os EUA que não vão bem. Estou trabalhando com outro jornalista, e visitamos as regiões mais pobres e esvaziadas do país, como as áreas de mineração de carvão.”

Sobre bom senso na cobertura de conflitos

“Sou bastante cuidadoso em minhas reportagens, não corro riscos desnecessários.”

Written by Tiago Soares

julho 13, 2011 at 4:25 pm

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patrulha patrulha

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Do Gran Clipart

(Fato curioso: cada um dos 3 quadrinhos é um chiste com alguma coisa vista na minha vida de militância)

Written by Tiago Soares

junho 11, 2011 at 10:54 pm

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